domingo, 9 de outubro de 2011

Dificuldades da paleontologia brasileira

O acaso muitas vezes está envolvido na descoberta de fósseis. O dente do Baurusuchus salgadoensis foi encontrado por um menino, que resolveu levá-lo a seu professor de ciências, João Tadeu Arruda, em 2005. Ainda bem que Arruda desconfiou se tratar de um fóssil, ou os 11 esqueletos completos do animal ainda estariam enterrados em Bauru, no interior paulista. Outro caso é o do Uberabatitan ribeiroi, cujos primeiros ossos foram encontrados na construção da rodovia BR-050, que liga Brasília (DF) a Santos (SP).
O paleontólogo Ismar de Souza Carvalho trabalhando em campo.

 Carvalho explica que isso é normal porque o país é muito grande e não há paleontólogos para mapear todo o território. A busca de fósseis depende muito do financiamento público, e não é sempre que se conseguem recursos suficientes para uma escavação que pode durar anos. Entre as poucas empresas privadas que têm interesse em escavações estão as que prospectam petróleo – porque existem microfósseis que ajudam a determinar se um lugar tem chance de ter petróleo ou não.

Outro processo que pode ser tão demorado quanto a escavação do fóssil é a publicação do estudo sobre ele em revistas internacionais dedicadas ao assunto, importante para consolidar a descoberta do animal na comunidade científica. Para Carvalho, que demorou três anos para publicar o achado do Amazonsauro, em 1991, os empecilhos para a publicação são intencionais. “[As publicações estrangeiras] São destinadas basicamente para a produção de conhecimento de seus países, EUA e União Europeia. Hoje existem milhares de tentativas de publicação por chineses, argentinos, brasileiros, indianos, russos; acredito que não são aceitos porque eles querem manter essa predominância, esse monopólio da informação.”

Carvalho diz comemorar cada artigo publicado como uma vitória para o país. “Saber como foi o tempo no Cretáceo, os ecossistemas, construir essa história geológica sob o ponto de vista de quem está abaixo da linha do Equador”, diz ele, que quer tornar a "paleontologia mais brasileira". Nomes de espécies como arrudacamposi ou ribeiroi carregam homenagens a brasileiros envolvidos na descoberta, para ajudar a nacionalizar a ciência.

Adaptado de: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI85152-15224-2,00-ZOOLOGICO+PREHISTORICO.html

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