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| O paleontólogo Ismar de Souza Carvalho trabalhando em campo. |
Carvalho explica que isso é normal porque o país é muito grande e não há paleontólogos para mapear todo o território. A busca de fósseis depende muito do financiamento público, e não é sempre que se conseguem recursos suficientes para uma escavação que pode durar anos. Entre as poucas empresas privadas que têm interesse em escavações estão as que prospectam petróleo – porque existem microfósseis que ajudam a determinar se um lugar tem chance de ter petróleo ou não.
Outro processo que pode ser tão demorado quanto a escavação do fóssil é a publicação do estudo sobre ele em revistas internacionais dedicadas ao assunto, importante para consolidar a descoberta do animal na comunidade científica. Para Carvalho, que demorou três anos para publicar o achado do Amazonsauro, em 1991, os empecilhos para a publicação são intencionais. “[As publicações estrangeiras] São destinadas basicamente para a produção de conhecimento de seus países, EUA e União Europeia. Hoje existem milhares de tentativas de publicação por chineses, argentinos, brasileiros, indianos, russos; acredito que não são aceitos porque eles querem manter essa predominância, esse monopólio da informação.”
Carvalho diz comemorar cada artigo publicado como uma vitória para o país. “Saber como foi o tempo no Cretáceo, os ecossistemas, construir essa história geológica sob o ponto de vista de quem está abaixo da linha do Equador”, diz ele, que quer tornar a "paleontologia mais brasileira". Nomes de espécies como arrudacamposi ou ribeiroi carregam homenagens a brasileiros envolvidos na descoberta, para ajudar a nacionalizar a ciência.
Adaptado de: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI85152-15224-2,00-ZOOLOGICO+PREHISTORICO.html

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