domingo, 9 de outubro de 2011

Do osso à pedra: criando fósseis

 

Ovos fossilizados em exibição no Museu da Mongólia
A maioria dos esqueletos de dinossauro que você vê em museus existe devido às rochas sedimentares. Esses fósseis começaram a surgir quando um dinossauro morreu em um ambiente que tinha muito sedimento móvel, como um oceano, leito de rio ou lago. Um local assim é uma zona bêntica: a parte mais profunda de um corpo d´água. Esse sedimento rapidamente enterrou o dinossauro, oferecendo ao seu corpo proteção contra a decomposição. Enquanto as partes macias do dinossauro eventualmente se decompuseram, suas partes duras (ossos, dentes e garras) permaneceram. Mas um osso enterrado não é a mesma coisa que um fóssil. Para se tornar um fóssil o osso precisa se tornar rocha. As partes orgânicas do osso, como as células sangüíneas, colágeno (uma proteína) e gordura, eventualmente, se decompõem. Mas as partes inorgânicas do osso, ou as partes compostas de minerais como o cálcio, têm mais poder de permanência. Elas permanecem após o desaparecimento dos materiais orgânicos, criando um mineral frágil e poroso no formato do osso original.
Outros minerais reforçam esse osso, fundindo-o em um fóssil. A água gradualmente percorre o interior do osso, transportando minerais como ferro e carbonato de cálcio extraídos do sedimento circundante. Quando a água penetra os ossos do dinossauro, alguns desses materiais se precipitam dentro de seus poros microscópicos. À medida que esse processo continua, o osso se torna mais e mais parecido com rocha. Isso é como encher uma esponja com cola (em inglês): a estrutura física da esponja permanece a mesma, e os poros e buracos dentro dela são preenchidos. A cola torna a esponja mais robusta e mais resistente a danos. Ossos grandes e espessos, que têm mais espaço para a cola mineral, formam fósseis melhores do que ossos pequenos e finos. Com o passar de milhões de anos, o sedimento ao redor desses ossos reforçados se torna rocha sedimentar. A erosão, as marés e outros processos naturais continuam a depositar mais sedimento, e esse sedimento também se torna rocha. Enquanto eles podem reter a pressão da rocha circundante, os ossos permanecem ocultos e preservados de forma segura. Após milhões de anos, algum processo natural, como a mudança gradual da superfície do planeta, pode revelar essas camadas e os fósseis que elas contêm.
Uma trilha fóssil no declive de uma colina no condado de Yongjing-China

 
A rocha sedimentar também pode conter traços fósseis, que registram o comportamento de um organismo. Alguns dos traços fósseis mais conhecidos são as trilhas fósseis, ou percursos de animais extintos. Eles se formam quando um animal deixa suas impressões em solo macio, mas firme, que cria um molde. Esse molde é enchido com sedimento, e ambos, o molde e seu preenchimento, endurecem durante milhões de anos. Forças naturais como a erosão removem as camadas superiores da rocha, revelando as pegadas preservadas sob elas. O sedimento também pode encher o molde e endurecê-lo em uma fôrma, ou uma reprodução da pata que criou a pegada. Isso também pode acontecer com outros traços como tocas e túneis. Alguns outros traços fósseis incluem coprólitos (esterco fossilizado), marcas de dentes em ossos ou madeira, e ninhos. O sedimento pode até preservar a vida da planta. As plantas podem deixar impressões no sedimento endurecido ou se tornar madeira petrificada após passar por grande parte do mesmo processo dos ossos de dinossauro fossilizados. Esse tipo de fossilização cria fósseis mais resistentes, mas ele somente pode ocorrer sob condições específicas.
Um homem segura um inseto fossilizado em âmbar durante
uma exposição de minerais e gemas do Paquistão,
em maio de 2002

Quando um animal é preso em piche ou parafina que ocorre naturalmente, seu corpo inteiro pode ser preservado. Enquanto a parafina e outras ceras podem preservar o tecido mole de um animal, substâncias como o piche preservam somente as partes duras. Um bom exemplo disso são os mamíferos e as plantas preservadas no La Brea Tar Pits, em Los Angeles, Califórnia. A cor dos ossos escavados das piscinas de piche geralmente é marrom escuro, pois eles absorveram o piche através de seus poros. O piche e a parafina também podem preservar plantas. Algumas formas de vida, incluindo os seres humanos, também foram preservadas em turfa, que é composta principalmente de musgos decompostos.

Adaptado de: http://ciencia.hsw.uol.com.br/fossil3.htm

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